SST requer sistemas especializados de gestão

O que deve abranger um bom software de gestão de Segurança e Saúde do Trabalho? E onde pecam diversos sistemas deste mercado?

O engenheiro Rogério Luiz Balbinot, Coordenador do Grupo de SST das Empresas Piloto no eSocial; Membro dos Grupos de Trabalho do eSocial (GT-Confederativo e GT-FENACON); Conselheiro do GEAT (CONTRAB / FIERGS); Presidente da Associação Sul-Rio-Grandense de Engenharia de Segurança do Trabalho – ARES; Conselheiro da Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho CREA/RS, gestão 2014/2016; além de diretor e fundador da RSData, fornecedora de sistema para esta área, explica.

GERENCIAMENTO PROFISSIONAL

A gestão de Segurança e Saúde do trabalho, até pouco tempo atrás, era feita através de planilhas Excel que serviam de base para o gerenciamento da área de medicina ocupacional. Nas grandes empresas que contavam com ambulatórios e equipe médica, foram desenvolvidos módulos pelos próprios sistemas ERP para fazer o gerenciamento de atendimentos, ASO e exames, que, por sua vez, estavam atrelados a dados gerenciados em planilhas Excel pela área de segurança do trabalho.

PPP: MELHOR GESTÃO DE RISCOS

Em 2004, com a instituição do PPP, a necessidade de uma melhor gestão de riscos pela área de engenharia e segurança do trabalho tornou-se necessária para um melhor controle das informações correlacionadas e para o preenchimento do documento do PPP. Diante desta necessidade, os módulos de medicina já utilizados pelas empresas e vinculados ao RH, foram “aprimorados” para gerenciar a área de segurança do trabalho, tornando-se assim uma grande colcha de retalhos, iniciada com uma gestão invertida de SST (iniciando pela medicina e depois engenharia) e construída de acordo com as necessidades do usuário, sem considerar as normas e legislações brasileiras vigentes.

ERP DESFOCADO DE SST

Outro ponto que remeteu a problemas na gestão desta área é que as empresas de ERP tinham a sua  base de gestão focada em centro de custo, atendiam as demandas vindas e não possuíam conhecimento da área, muitas particularidades da área de SST não conseguiram ser atendidas por completo, deixando pontos descobertos por não contemplar pontos chaves de SST, acarretando problemas em relação à gestão da área.

GESTÃO DE SST COMEÇA PELA SEGURANÇA

O especialista, adverte que a gestão iniciada ao atendimento das necessidades da área médica, sem considerar a gestão de segurança pode ser um ponto falho na gestão. Ele compara a construção do software de SST iniciando pela medicina e partindo para engenharia à compra de um edifício pela beleza, sem avaliar sua infraestrutura. Se esta for falha, tudo vai ruir cedo ou tarde”. Ainda sobre o tema, Balbinot comenta que um bom software de SST para fins de gestão e eSocial precisa ter sua programação iniciando pela engenharia e depois medicina, conforme ocorre na prática do dia a dia, onde deve-se: antecipar, reconhecer, avaliar e controlar.

SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR

Iniciando pela Segurança em primeiro lugar, na incapacidade de mitigar o risco, as empresas partirão da mensuração dos agentes potencialmente prejudiciais, identificação e quantificação destes, e quando possível trocar um produto nocivo por um inerte, de forma a não precisar sequer acionar a Medicina. Feita esta etapa e com estas informações em mãos, o médico poderá iniciar o monitoramento biológico e definir os exames necessários para cada profissional, bem como a periodicidade com que devem ser feitos, e a saúde das equipes estará melhor preservada.

Além disso, quando bem avaliado o risco e existir a possibilidade de mitigar ou mesmo trocar o por outro inerte, a empresa deixará ambiente salubre, e consequentemente diminuirei os custos, sejam estes com EPC, EPIs, pagamento de adicionais de insalubridade e/ou periculosidade, ou mesmo aposentadoria especial”, destaca o engenheiro.

E-SOCIAL

E o que tudo isso impacta com a entrada da área de SST no e-Social? Acompanhe o blog e confira no próximo post!